Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão conjunta do Congresso Nacional (para deputados) destinada à deliberação dos Vetos nºs 4, 14, 18, 19, 20, 22 a 52 de 2021 e dos Projetos de Lei do Congresso Nacional n°s 12, 13 e 15 de 2021. Em discurso, à tribuna, deputado Hildo Rocha (MDB-MA). Mesa: vice-presidente da Câmara dos Deputados, deputado Marcelo Ramos (PL-AM); secretário-geral da Mesa do Senado, Gustavo A. Sabóia Vieira. Foto: Pedro França/Agência Senado

Veja quem são os oito deputados federais eleitos no Distrito Federal

Com 100% das urnas apuradas, a deputada federal que mais recebeu o apoio popular foi a deputada bolsonarista Bia Kicis, do PL, que teve 214.733 votos válidos. Outros sete candidatos também foram eleitos.

No Brasil, os deputados federais são eleitos por um sistema proporcional ou seja, são considerados os votos totais tanto do candidato quanto o do partido.

Com três deputados federais eleitos, o partido Republicanos foi o grande vencedor do pleito para a Câmara Federal no Distrito Federal. A legenda elegeu com o apresentador Fred Linhares com 165.316 votos, o pastor Julio Cesar com 76.265 votos, e o ex-secretário de Ciência e Tecnologia do DF, Gilvam Máximo, com 20.923 votos.

Foram eleitos também Erika Kokay (PT-DF) com 146.092 votos, Rafael Prudente (MDB-DF) com 121.307 votos, Professor Reginaldo Veras (PV-DF) com 54.557 votos, e Alberto Fraga (PL-DF) com 28.825 votos.

Foram eleitos pelo quociente partidário (número de votos válidos do partido ou coligação) Bia Kicis, Fred Linhares e Erika Kokay. Foram eleitos por média Rafael Prudente, Julio César, Professor Reginaldo Veras, Fraga e Gilvan Maximo.  

Foram computados ao todo 1.607.519 votos válidos, 0 votos anulados e 4.518 votos anulados sub judice segundo o site do Tribunal Regional do Distrito Federal (TRE-DF). Além disso, foram computados 80.793 votos nulos (que representam 4,47%) e 114.654 votos em branco (que representam 6,34%).

Confira os deputados federais eleitos no DF

Bia Kicis (PL-DF) — 214.733 votos (13,32%)

Natural de Resende (RJ), tem 61 anos, é advogada e atuou como procuradora do Distrito Federal por 24 anos. Aposentou-se em 2016, como subprocuradora-geral do DF. Apoiadora ferrenha de Jair Bolsonaro (PL), elegeu-se como a terceira deputada federal mais votada do DF em 2018, na primeira eleição da qual participou, com 86.415 votos. Defende o conservadorismo, a pauta de costumes, liberalismo econômico e o voto impresso. É autora do projeto Escola sem Partido. Integra a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) e a Comissão Especial de Prisão em Segunda Instância. Apoia o fim do foro privilegiado e a revisão da lei de execução penal para dificultar os “saidões” de presos. Declarou R$ 1,7 milhões em bens.

Fred Linhares (Republicanos-DF) — 165.358 votos (10,26%)

Apresentador de tevê e radialista, é brasiliense e tem 42 anos. Comandou o programa televisivo Cidade Alerta, da TV Record, até junho, quando se afastou para participar das eleições. É conhecido por dar destaque a conteúdos e ocorrências policiais, com foco em autoridades de segurança, e chegou a integrar a rádio Clube FM, do mesmo grupo do Correio. Foi candidato a deputado distrital em 2010, pelo PSC, obteve 3.275 votos e se elegeu suplente. Declarou, em 2022, R$ 10 mil em bens à Justiça Eleitoral. É filho do radialista, jornalista e ex-deputado distrital, Silvio Linhares, morto em 2011. Tem como principais bandeiras contribuir para o aperfeiçoamento do Código de Processo Penal; ampliar a legislação de proteção às mulheres; votar a reforma tributária; fortalecer programas e bolsas de auxílio a atletas; e dedicar esforços para o desenvolvimento do Entorno.

Erika Kokay (PT-DF) — 146.092 votos (9,06%)

A cearense de Fortaleza tem 65 anos, dos quais 45 são dedicados à militância política. Bancária, foi escolhida como deputada distrital em 2002 e 2006 e foi a primeira presidente mulher do Sindicato dos Bancários do DF, entre 1992 e 1998. Filiada ao PT desde 1989, foi presidente do diretório regional do partido no DF em 2017, cargo que ocupou por dois anos. Teve 89.986 votos em 2018, a segunda deputada federal mais votada da capital do país. Apenas no último mandato da Câmara, foi autora de 2.852 propostas legislativas, com duas faltas no plenário não justificadas. A parlamentar votou contra a reforma da previdência, as privatizações da Eletrobras e dos Correios, a proposta de voto impresso e o fundo eleitoral. Também foi contrária à autonomia do Banco Central. Entre as bandeiras defendidas, estão os direitos humanos, o meio ambiente, a cultura, a educação e as minorias sociais. Registrou no TSE R$ 406 mil em bens.

Rafael Prudente (MDB-DF) — 121.307 votos (7,53%)

Brasiliense, é formado em administração e empresário. Tem 39 anos e participou das eleições pela primeira vez em 2014, quando foi eleito para a Câmara Legislativa do DF (CLDF). Foi reeleito deputado distrital em 2018 e, quando assumiu, foi escolhido pelos colegas para presidir a Casa, cargo que ocupa atualmente. Foi o deputado mais jovem e natural de Brasília a presidir a CLDF. É neto do ex-procurador do Ministério Público de Goiás (MPGO) Osmar Prudente, morto em agosto, e filho do ex-deputado distrital Leonardo Prudente, filmado em 2009 recebendo dinheiro de Durval Barbosa — na época presidente da Codeplan — e escondendo as notas na meia, em meio ao escândalo do Mensalão do DEM. Ficou conhecido por fazer “blitze” nos hospitais públicos e escolas. Declarou R$ 2,7 milhões à Justiça Eleitoral. 

Júlio César (Republicanos-DF) — 76.274 votos (4,73%)

Aos 47 anos, assume o segundo mandato na Câmara dos Deputados — em 2018, concorreu pelo PRB e conquistou uma vaga com 79.775 votos. Pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, foi eleito deputado distrital em 2014. Entre 1998 e 2006, foi diretor executivo nas emissoras TV Itajaí, TV Cultura Florianópolis, Rede Mulher de Televisão e TV Itapoan (BA). Entre 2006 e 2010, atuou como empresário nas áreas de segurança e comunicação, até assumir, em 2011, como secretário-adjunto de Esporte do DF. Natural de São Bernardo do Campo (SP), é casado e formado em direito pela Universidade Ibirapuera (Unib), de São Paulo. No primeiro mandato na câmara, foi autor de 718 propostas legislativas. É réu por corrupção passiva e investigado na Operação Drácon. Responde a acusações de envolvimento em esquema de pagamento de propina na CLDF. Neste ano, não declarou nenhum bem à Justiça Eleitoral; em 2018, registrou R$ 345 mil e, em 2014, R$ 598 mil.

Professor Reginaldo Veras (PV-DF) — 54.557 votos (3,38%)

Cearense de Crateús, tem 49 anos e chegou ao DF com apenas três anos. Cresceu em Ceilândia, onde morou por mais de 30 anos, graduou-se em geografia (licenciatura) na Universidade de Brasília (UnB) e entrou na Secretaria de Educação do DF em 1992. Lecionou, principalmente, em escolas de Ceilândia e decidiu dar início à vida política em 2013, quando se filiou ao PDT. Foi eleito deputado distrital pela primeira vez em 2014 e reeleito em 2018. Em novembro de 2021, criticou a postura dos colegas de partido em relação à PEC dos Precatórios, que extinguiu o teto de gastos públicos para custear o Auxílio Brasil, programa social de Bolsonaro. Na votação, boa parte da bancada do PDT foi favorável ao texto. Declarou R$ 594 mil em bens à Justiça Eleitoral em 2022. Filiou-se ao PV em março, declarando que a sigla “da sustentabilidade, democracia e pluralidade será agora também o partido da educação e da defesa dos direitos dos trabalhadores.”

Fraga (PL-DF) — 28.825 votos (1,79%)

Coronel da reserva da Polícia Militar do Distrito Federal, tem 66 anos, é de Sergipe e veio para o DF em 1966. Formado em direito, administração e educação física, é mestre em segurança pública. Foi deputado federal pela primeira vez em 1999, quando era suplente e assumiu uma das vagas da câmara. De lá até 2011, manteve-se na função por três legislaturas consecutivas, passando por MDB, PFL (atual DEM). Em 2018, foi candidato a governador pelo DEM e, duas semanas antes daquelas eleições, foi condenado à prisão por cobrança de propina de R$ 350 mil em favor de uma cooperativa de transporte coletivo, quando era secretário de Transportes do DF, no governo de Arruda (PL). Recorreu em liberdade e foi inocentado em 2ª instância, em setembro de 2019. É aliado de primeira hora de Jair Bolsonaro. Declarou R$ 4,8 milhões à Justiça Eleitoral.

Gilvan Maximo (Republicanos-DF) — 20.923 votos (1,30%)

Goiano de Rubiataba, tem 53 anos e foi secretário de Ciência e Tecnologia do governador reeleito Ibaneis Rocha (MDB) até abril deste ano, quando deixou o cargo para disputar as eleições. Ele foi o 21º secretário de Ibaneis anunciado, ainda em 2018. Chegou a ser secretário Extraordinário para o Entorno do DF no governo de Goiás, entre 2011 e 2014, na gestão de Marconi Perillo (PSDB). Em 2014, foi candidato a deputado federal por Goiás pelo PRB, mas não se elegeu. Nas eleições de 2018, apoiou a candidatura de Rogério Rosso (PSD) para o GDF. É casado com a joalheira Miranda Castro, que comanda uma grife de mesmo nome. Em julho deste ano, protagonizou uma discussão com Arruda (PL), durante a convenção do MDB que confirmou a candidatura de Ibaneis, e chegou a levar um tapa do ex-governador. Empresário, GIlvan declarou R$ 490 mil ao TSE.